Tenho Exu e Santo Antônio sempre do meu lado


Santo Antônio pequenino

Amansador de burro bravo

Não sou burro, sou menino

Tenho Exu e Santo Antônio sempre do meu lado!


Depois de um bom tempo de estudo e um longo pensamento sobre o assunto, resolvi escrever uma parte da minha visão sobre o sincretismo de Santo Antônio e Exu. Para dar minha opinião vou trazer um pouco da visão separada de cada uma dessas energias que vivo todo dia em minha jornada. Santo Antônio, um santo católico com a característica de se teleportar e estar em dois lugares ao mesmo tempo, tendo quase uma função de psicopompo, se comunicava dessa forma com muitas pessoas. Assim, levava mais a palavra de Deus.


Santo Antônio é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal. Tinha grande cultura, documentada pela coletânea de sermões escritos que deixou, onde fica evidente que estava familiarizado com a literatura religiosa e com aspectos das ciências ocultas, tendo como referência autoridades clássicas e figuras da Igreja Católica.


Cresci em uma casa que se situava, na visão de alguns, “no meio do nada”. Lá tudo se tinha, quando se trabalhava e à terra um tempo se dedicava. Estava situada na região de Santa Rita. Um velho sábio de uma longa linhagem de Antônios, me ensinou sempre que a santidade divina sempre deve ser respeitada; que para a construção de algo é preciso esforço, dedicação e carinho. Aos cinco anos aprendi a matar um animal para me alimentar, e que no mesmo lugar onde esse animal vivia, crescia e morria era o mesmo lugar em que esse mesmo velho sábio benzia e curava quem ali o procurava pedindo ajuda. Cresci sabendo que carrego em meu nome um legado muito maior do que podia imaginar. Ligado a isso lembro de uma frase que ouvi na minha primeira incorporação de Exu: “Você carrega no nome aquilo que ele carregava no espírito, o mesmo que carrego em minha essência. Com o tempo terá suas respostas”. Só depois de muito tempo começo a entender coisas que aconteceram décadas atrás, porque além da dedicação ao trabalho o estudo demanda tempo. E tempo demanda coragem.


Exu!

Dono do nada, mestre do Todo!

Rei do Universo onde todos os pontos se ligam em sua individualidade!

Conhecedor do desejo e decodificador da linguagem!

Psicopompo entre mundos e conselheiro dos aflitos, onde o princípio se fez verso e o verbo se fez o início de Tudo.


Exu, sempre em comunicação com a divindade e o ser humano, trazendo clareza, justiça, e solução de situações para as quais é solicitado, tanto pela divindade quanto pelo ser humano. Falar de Exu é um campo muito delicado, porque diz respeito à fé de cada pessoa e ao dogma religioso em que ela está inserida.


Sutilmente uma energia boêmia toma conta da narrativa quando escrevo este texto, e desenrolam-se desejos e pensamentos vastos e completamente duais sobre o assunto, pois é isso uma das várias funções de Exu, dentre todas as outras funções que lhe foram entregues pelo Criador Maior. É ele quem se opõe ao caminho da direita, sendo aquele que traz o ponto contrário do olhar, o primeiro teste da fé, da força, do equilíbrio. É também a pergunta depois da pergunta final. “E aí? Acha que acabou? Porque agora é que começa a verdadeira jornada.”


Agora a jornada já não tem mais volta, agora já não pode mais dizer “não sei”. Pois a ignorância não lhe protege mais; com o conhecimento você toma para si a responsabilidade sobre suas intenções, e isso faz toda a diferença para o que podemos chamar de proteção.


Vejo o sincretismo como uma forma de ensinamento para entender a energia trabalhada por essas divindades, que trazem suas individualidades dentro de seus próprios dogmas religiosos. O sincretismo é muito válido, levando em conta sempre que não podemos usar dessas energias ou dogmas para nossa vontade, pois se fazemos isso estamos nos apropriando de algo muito maior que nossa fé individual, e ao meu ver esse movimento nos afasta da verdadeira função do religare à Divindade Maior, que é um ancestral divino de todos nós.


Exu é Exu e Santo Antônio é Santo Antônio. Agradeço muito a essas duas divindades, por me proporcionarem essa vivência plena da religiosidade, tão próxima dessas energias.

Salve Santo Antônio!

Saravá Mojubá!


Minas Gerais, Brasil

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