Sob a Árvore, uma Senda Brasiliana


Embaúba (Cecropia pachystachya)

Sustentando o mundo sob a árvore Brasil, muitas são as partes que compõem um rizoma nutritivo, profundo e subutilizado para nutrição do seu povo. Creio que tendemos a ser mais do tipo exportação, mas pode ser só impressão minha.


Em sonho, atenho-me a uma de suas partes, filamento único dessa raiz imensa, que vibra sua música, sua linguagem. Se eu ouvir com cuidado e intensa receptividade, que me converta numa taça quase vazia e profundamente interessada (tenho treinado com meditação, recomendo padaná; mas preciso confessar que o grosso mesmo aprendi ouvindo histórias dxs mais velhxs) posso quem sabe ouvir uma das suas muitas histórias. Me ajuda aí, Sofia, com sua sabedoria!


Mas para mim Sofia está longe, muito longe... Melhor focar no exercício de escutar, antes que o sonho acabe.


“Tudo começa com Nhamandu”, a raiz vibra, “primeira força ativa/passiva do Universo”.


Daí pra frente, minha gente, assumo que só conseguia ouvir através da névoa nascida da disputa entre um coração atento e uma mente que teima em vagar como se abrisse janelas novas do Windows. O que entendi foi mais ou menos assim:


“A fonte Nhamandu cria tudo o que existe. Cria Ci, a deusa da terra, matéria de que é feita toda a Natureza. Cria Nhanderu, o sopro da consciência da vontade, que vem de branco e em diversas cores habitar todos os seres vivos em diferentes níveis, tendendo a ser mais íntimo dos seres humanos.


Da relação entre Ci e Nhanderu nascem Jaci, a deusa da Lua das nossas águas que se encontram, se afetam, e Guaraci, o Sol dos nossos incendiados pensamentos, que buscam a todo custo direcionar a Vontade, sendo, contudo, por ela direcionados.


Este é um caminho, querida, um caminho possível, um caminho que alimenta a senda brasiliana.”


Acho que foi assim mesmo, viu gente.

Minas Gerais, Brasil

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