O caminho Serpenteante do Magista


Mão esquerda e mão direita são pontos de vista, escolhas temporárias que fazemos ao longo da jornada que vai de encontro à essência, e que nos permitem serpentear pelo caminho e vislumbrar o equilíbrio.


Mão direita. Mão esquerda. Não querendo dizer caminho do meio.

Este texto é o início de uma série de indagações que me fiz e pretendo fazer na busca pelo autoconhecimento magístico e religioso.


Para quem sabe firmar minha opinião, de forma clara e consciente respeitando as leis já antes traçadas e as tradições antes criadas. Não sem questioná-las quando necessário, em suas incoerências derivadas da temporalidade de suas criações, nas interpretações posteriores. Essas podem ter sido adaptações que também mudariam de alguma forma a essência da própria magia, o que levaria a uma separação proposital, porém ilusória, por meio da qual a psique consciente se encontraria dividida entre certo e errado, bom e ruim. Porém, não existe um caminho serpenteante, que parte do Reino para esquerda ou direita em busca de um norte?


Ao partir de um ponto fixo, virando para o mesmo lado repetidamente, você só consegue andar em círculos. Uma Samsara criada por si mesmo, um labirinto de escolhas ou linhas. Um exemplo prático: se estiver sentado, levante e dê um passo à frente. Vire à direita ou esquerda, dê um passo à frente e vire novamente, repetindo a mesma escolha feita anteriormente. Ao final de quatro escolhas você se encontrará no mesmo lugar, tendo uma parte da visão de cada elemento mas não a completude dos seus ensinamentos.


Se ao ler você se perguntou “quais elementos?”, acho precioso o entendimento de alguns termos muito importantes para a jornada de um(a) magista. Busque pelas concepções simbólicas de terra, água, fogo, ar e éter, por exemplo.


Pensando na percepção de passagem da vida, me pergunto: nenhum mago caminhante da Direita nunca usou do caminho da Esquerda? E isso não seria pensar em seu bem-estar em primeiro lugar? O mago caminhante da Esquerda não faz nada que não seja Egóico? Então não temos a caridade nesse caminho? E se tem, a caridade não é pensar no Todo? Não tenho a pretensão de responder essas perguntas agora, até por que as respostas não cabem em um texto ou em uma tarde de escrita, e seria uma pretensão tamanha tentar fazer isso ao meu ver, porque cada pergunta feita tem muitas outras perguntas dentro de suas várias e vastas respostas.


Dentro do meu entendimento, perguntas movimentam o conhecimento, respostas geram a Fé, que vai de encontro à movimentação em busca do aprendizado evolutivo Humano. Perguntas como as que fiz até agora abrem espaços para muitas outras que vou fazer neste e em outros textos, para assim criar uma síntese baseada em várias teses e antíteses.

Usando da permissão da escrita poética, deixarei várias práticas mágicas que podem ser utilizadas para ter mais entendimento de arquétipos psicológicos e mágicos dentro da jornada do herói. Você pode utilizar desses textos para começar sua própria jornada, e lembre-se: a construção do magista está ligada também à consciência da sua essência e base existencial.


Sobre os pilares da Kaballah Jakin ou Yakin e Boaz, os quais podemos também chamar de restrição e expansão ou preto e branco, o trânsito entre eles não seriam tonalidades de cinza? Ao longo da minha escrita existem várias provocações que buscam puxar do leitor uma reflexão real, visando a travessia do véu que cobre a realidade sutil, às vezes chamado de véu de Maya, separando-a do mundo dos profanos.


Dessa forma, pode-se adentrar o Reino das Formas, vivenciando o ciclo da noite, regido pela lua, ciclo do aprofundamento interior que somente o feminino pode gerar no indivíduo. Esse aprofundamento faz com que o indivíduo se depare e repare internamente muitos conceitos, traumas e formas de visão geradas em sua jornada pelo Reino, em busca de suprir seus desejos e vontades. Esses desejos e vontades estão quase sempre voltados a um bem-estar ou conforto próprio, mesmo dentro das escolhas entre caminho da Direita e caminho da Esquerda. O bem-estar em cada um dos dogmas é uma constante, o que me gera outra pergunta. Bem-estar próprio é egóico? Entendo que os dois caminhos partem do princípio de que sempre tenho que me ver como indivíduo no coletivo, sendo que a Esquerda prioriza o indivíduo enquanto a Direita visa o coletivo.


A escolha de dogmas pode ser vista como uma forma de norte e “conforto de bando”, onde a pessoa pode se afirmar em outras experiências e comparar com as experiências vividas. Sendo assim, tira disso os aprendizados necessários para a realização da vontade talvez ligada à essência. Olha aí novamente a vontade aparecendo, e me pergunto: isso é vontade ou desejo? Se é desejo, esse desejo é egóico?


Se é assim, por que temos Dragões nos contos de fadas, na perspectiva hermética, simbolizando os senhores da matéria ou protetores da sutileza energética? Somente quando temos nossa base moral revisitada e revista podemos ter solidez na jornada transitória entre a restrição e a expansão, buscando nesse movimento cardíaco e respiratório encontrar o eixo de subida. Assim, trabalhamos a construção dos pilares que sustentam nossas decisões e fortificam as formas de atuação no mundo.


Pense agora no cinza. Então, para cada pessoa esse cinza foi num tom mais claro(aberto) ou escuro(fechado), trazendo claramente a faixa de transição em que cada um se encontra neste momento. Se entendemos as ferramentas (ou seriam arcanos?) podemos usar de todas as cores entre o Todo e o Nada, para caminhar nessa Escada Jacobina de evolução.


Quando penso, existo.

E se existo, posso co-criar.

Para criar algo novo preciso ser Louco, dar vazão a algo que não foi criado ainda, preciso acreditar que a luz que me ilumina é em sua essência minha própria essência, trazendo brilho e luz para que eu possa voar em minhas realizações. Usando todas as ferramentas do Mago dispostas sobre a mesa, interiorizando a dualidade dos pilares da essência, fazendo a descida Sacerdotal ao submundo, podemos acessar o livre-arbítrio de escolher qualquer direção que queiramos caminhar. Contudo, para subir só se tem um caminho, que dualiza com a descida.




Minas Gerais, Brasil

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