Magia, Arte e Cartomancia


Primeiro dia de inverno.

Um dia específico, especial como todos, cada um a seu modo.

Irrepetíveis, todos eles, para desespero da ciência.

Irrepetíveis, todos eles, para deleite da magia.

Um pontinho na roda do ano, na roda do tempo, na roda da vida, não importa que calendário de que civilização passageira usamos: primavera, verão, outono, inverno, primavera, verão...

Neste ponto da roda solar, a duração das noites começa a diminuir, e a duração dos dias começa a aumentar. Mais tempo de sol, menos tempo de lua. Mais tempo de luz, menos tempo de sombra no seu dia, no nosso dia. Mais expansão, menos retração.

Já reparou?


Primeiro dia de lua crescente.

Uma lua específica, especial como todas, cada uma a seu modo.

Irrepetíveis, todas elas, para desespero dos puritanos.

Irrepetíveis, todas elas, para deleite das orgiásticos.

Um pontinho na roda dos meses, nos ciclos femininos, entre as treze avós e as luas negras.

Neste ponto da roda lunar, inicia-se um novo plantio, é hora de expandir-se, realizar-se. Colocar planos e projetos em prática, abrir-se à nutrição para crescimento dos sonhos, dos propósitos.

E se a posição da lua influencia as marés, e se seu corpo tem tanta água, e se respiramos o mesmo ar e pegamos os mesmos vírus...

Já reparou?


Não só lua crescente, mas crescente em câncer. Câncer é um código para certas qualidades, um tom de cor, um cheiro, uma nota, uma frequência, um sabor, uma textura... Seria outra lua crescente se o fosse em leão, ou virgem, ou libra. E por que?


Porque essas são linguagens que estabelecemos com o nosso mundo, e seguimos estabelecendo desde o início dos tempos, para compreendê-lo em seus ciclos de morte e vida, e, assim, compreendermos melhor a nós mesmxs, por dentro e para além. Se você não gostar dessas linguagens xamânicas de observar sol e lua, outras poderão servir. Afinal, temos todxs a habilidade de desenvolver códigos para interagir com a realidade.


Há inúmeras formas pelas quais o ser humano pode expandir cada vez mais, em todos os planos de existência (físico, emocional, mental, intuitivo), a sua capacidade de relacionar-se de forma consciente com o mundo que o cerca, seja de natureza rural ou urbana. Não quer orientar-se pelos ciclos lunares e solares? Desenvolva a linguagem de um oráculo, percorra um caminho iniciático, medite. Qualquer prática que faça com que você esteja atentx e presente perante a sua existência no mundo, como ele te afeta e você a ele. Atenção. Presença. Observação passiva e ativa. Raciocínio e emoções afinados consigo e com o Todo, em fluxo constante. Isso é o início do caminho na Magia, como o vejo.


Nada disso, acredito, tem a ver diretamente com quantidade de cursos feitos ou livros lidos. Tem mais a ver com a realidade mesmo, a Magia que entendo como tal. Magia, enfim, partindo dessa interação consciente com o Todo, e seguindo ao infinito das suas possibilidades de caminho, ou linguagens. Já reparou?


É isso, trata-se no fundo no fundo de reparar, num primeiro momento. Botar reparo, será que existe essa expressão fora de Minas? Para começar a trilhar qualquer caminho, começamos reparando, reparando bem. Observe que muito do nosso tempo tendemos a passar numa espécie de piloto automático, realizando atividades e elaborando pensamentos sem de fato estar PRESENTE enquanto fazemos tudo isso. Ou sem considerar se aquelas ações, pensamentos, escolhas são aquelas que DE FATO queríamos fazer, se condizem mesmo com aquilo que queremos expressar no mundo. É do silêncio e da observação que nascem todas as coisas que duram, que valem a pena, que não são apenas contingenciais. Que trazem em si a mágica essência, a Vontade, naturaleza.


Do escuro silencioso da casca brota a semente, é o que Ela nos ensina, verdinha, lá fora. Criar aquilo que queremos no mundo é um processo bem semelhante, de semelhante Magia. Logo, caso você tenha interesse em aprender algo sobre Magia, em viver a Arte, sugiro que comece observando, a si e ao seu mundo, saindo do sono e do automatismo. Esse é o primeiro passo, e percebo que ele já dá um bom trabalho. Em seguida, seria bom aprender uma linguagem estruturada que possa te ajudar a interpretar o período de autoconhecimento e autoaprimoramento que, com sorte, se segue ao despertar. Afinal, você está passando por um despertar... ou não está?


Vamos ao exemplo prático de mim mesma. O chamado para me conscientizar da Magia que existe no mundo (não para vivê-la, afinal para vivê-la basta estar vivx) aconteceu num momento em que questionei, de modo definitivo, quem ou o quê eu era DE FATO, caso me despisse do meu nome, meu lugar social, meu lugar na família e entre meus amigos, meu diploma e vínculo empregatício. De onde partiam as decisões que eu tomava, os sentimentos que tinha, independentemente das condições externas, do clima, do Outro, do tempo ou do espaço.


Nesse estado de espírito, busquei orientação e recebi o mais precioso conselho, que agora traduzo em forma de citação socrática: Conhece-te a ti mesmx. Você já deve ter ouvido variações disso também, vindo da boca de um sábio iniciado ou de uma sábia preta-velha, tanto faz. A mensagem é sempre a mesma. Repare, e conhecerá. Fala menos e escuta mais. E por aí vai.


Fazer isso na prática, para mim, é vez ou outra ao longo do meu dia, me lembrar de despertar daquele tal piloto automático. É também, no fim do dia, reservar um tempo para pensar em como tudo aconteceu, elaborar minhas percepções sobre mim e sobre o mundo numa escrita, num caderno comum. Aos poucos, vamos acrescentando as linguagens estruturadas que escolhemos para orientar esse autoconhecimento feito na prática: você pode incluir a lua do dia, caso saiba o que cada uma significa, para comparar os ciclos lunares ao seu ciclo de vida pessoal, descrito no caderno. Pode também levar esse caderno para enriquecer as suas sessões de psicoterapia, junto a um profissional da psicologia. Pode aprender a tirar tarot e usar dessa linguagem para interpretar suas ações, sentimentos e pensamentos... enfim. Temas para os próximos textos.


O que gostaria de deixar de mais precioso nesse início de caminho é a noção de quão prazeroso, se vivido sem pressa (ademais de, como já sabemos, desafiador e exigente) pode ser o caminho de conhecer a si, seja qual for a forma de autoconhecimento ou linguagem estruturada que você escolha. Falaremos mais desses termos adiante. Por hora, sugiro um desafio: comece hoje o registro diário de si num caderno, e na próxima noite de lua nova, ao som de boa música e quem sabe ao sabor de um bom vinho, releia palavra por palavra com atenção e presença, como quem lê um bom livro. Feito isso, me faz um sinalzinho de fumaça nos comentários e responda à pergunta:


Você vive Magia?


Por hoje é só, mas amanhã tem mais! Acabei falando mais de Magia que de Arte e Cartomancia, mas começo é assim mesmo, peço paciência. Se existem mesmo esses tais ciclos, minha gente... nós temos Tempo.


Com Magia e café coado,

Elisa.

Minas Gerais, Brasil

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