A Jornada descrita nos escritos do tempo


A jornada do escritor, em meio à evolução literária, pessoal, energética e magística, uma brincadeira poética traçando a jornada, embasada no estudo e prática de quase uma década dos Mudras e suas fundamentações.


A jornada que escolhi trilhar passa por vários caminhos. Na religiosidade me encontrei em conexão com a essência espiritual, dentro do meu encontro com a ancestralidade espiritual africana. Tradição que me aceitou e me ajuda a acrescentar no mundo o que tenho a trazer, de forma sempre respeitosa com todos os que vieram antes, meus ancestrais de fé.

Foram dez anos de caminhada como praticante xamânico, até eu começar as minhas iniciações nos caminhos do Reiki e Tarot que abriram os caminhos meu estudo magístico. Nessa jornada em busca de algo maior, fui aprender filosofias e várias técnicas de autoconhecimento. Na minha primeira iniciação consciente da jornada, que foi no Reiki em 2012.


Comecei a movimentar os dedos, de forma que eu não fazia a menor ideia do porquê ou o que significava. Também não busquei muita na época entender do que se tratava, achei que poderia ser alguma infantilidade minha ou algo do tipo.

Na segunda iniciação no Reiki, dois anos depois, a mesma coisa aconteceu, porém já tinha uma abertura espiritual mais consciente dentro da linha de estudo.

Senti o ímpeto de pesquisar sobre gestos com as mãos e me deparei com os Mudras, porém não encontrei diálogo aberto sobre a técnica, nem estudos de fácil acesso, o que me gerou um pouco de relutância e medo de prosseguir. Quando meu mentor espiritual, em uma reunião astral, me disse a seguinte frase: “Você vai trabalhar os Mudras e desvelar o mistério dessa técnica, que será muito bem aproveitada pela humanidade se bem trabalhada”. Isso mexeu comigo de forma que quase abri mão de tudo para voltar à vida normal. Realmente quis voltar para a Matrix, que sabemos que todos nós vivemos constantemente.


Com o passar de alguns meses, em um trabalho xamânico, na energia da realização, regido por Ogum e pelos Caboclos responsáveis pela egrégora de que participava, tive uma tomada de consciência e aceitei meu caminho, dando então início ao estudo dos Mudras e a essa caminhada espiritual. Comecei a buscar bibliografias que tratavam do assunto, cheguei a algumas Doutrinas como Hinduísmo, Budismo, religiões e filosofias orientais que buscam a conexão com o divino e/ou entendimento do indivíduo. Comecei a compilar esse estudo com o intuito de entender a dinâmica da técnica dos Mudras e conseguir usá-la em um movimento mistico, ritualístico.


Nesse mesmo período terminei meu primeiro curso de Tarot, e a partir daí passei a conhecer uma descrição mais clara dos quatro elementos. Assim, pude fazer a correlação dos dedos com os Mudras específicos de cada elemento, porém me faltava encontrar o quinto elemento que completaria a mão do mago ocidental. Comecei a garimpar em várias filosofias e religiões referências ao elemento Éter/Metal, para completar meu estudo dos Mudras. Dentro de alguns sutras antigos consegui encontrar algumas direções, uma delas o Budismo, para entender mais sobre a técnica dentro de uma filosofia direcionada à paz, sabedoria, alegria, serenidade e liberdade. A Yoga por sua vez visa a fluidez energética. É uma filosofia que trabalha o corpo e a mente através de posturas específicas praticadas constantemente.

Elementos são um assunto à parte, e com centenas quiçá milhares de versões e opiniões sobre o assunto. Outra vez comecei um tipo de jogo como “quebra-cabeças” junto com a minha prática religiosa, e assim cheguei também à alquimia, na qual trabalham-se os elementos em busca da evolução do ser em conexão com o Divino. Ainda nos elementos, o aprendizado do Tarot me ajudou muito a entender a linguagem das imagens. Assim aprendi sobre os elementos, pelas imagens e filosofias vindas desde os tempos antigos. Pude então descrever melhor todos os Mudras aplicados a cada elemento, respeitando sempre o nível de consciência do magista que utiliza o Mudra.


Ao longo do tempo, e dentro do estudo pessoal sobre sincretismo, comecei a me deparar com várias imagens religiosas e em várias doutrinas místicas ocidentais, que utilizavam os Mudras mas também não explicavam muito sobre a utilização da técnica múdrica.


O máximo de informação que encontrei: “Os mudras são selos, chaves, códigos, um rezo feito com as mãos, encontrados na Yoga, Budismo, Danças tradicionais Indianas, posições de artes marciais”. Hoje entendo que, somado a todo o conhecimento dessas tradições, os Mudras são símbolos geométricos criados a partir da vontade do magista, buscando uma canalização maior da energia envolvida; tudo isso se dá através do entendimento do magista sobre a realidade do presente, sem colocar suas dores como muleta, utilizando dos Mudras de forma consciente dentro do ritual realizado. Cada movimento múdrico tem sua forma específica de conectar-nos com todos os cinco elementos da natureza Divina (Terra, Fogo, Água, Ar, Metal/Éter). A energia canalizada por cada Mudra pode ser direcionada para objetivos de cura, autoconhecimento, transmutação e muitos outros objetivos, a partir da consciência do magista.


Várias outras religiões, em que não vou me aprofundar nesse texto como o judaísmo, catolicismo, e filosofias como o pitagorismo, têm vertentes que usam as mãos para explicar conceitos e/ou curar vários males da alma e do corpo. Os Chakras também fizeram parte do meu estudo para me aprofundar na técnica dos Mudras. Eles estão ligados às mãos pelos nadis ou meridianos, e cada dedo representa um elemento e uma ligação com os órgãos principais do corpo.


No fim das contas aquele “quebra-cabeças” dos estudos dos Mudras se mostrou muito mais profundo e complicado do que eu imaginava, na jornada de autoconhecimento em que estou inserido. Assim, comecei a criar uma base e traçar uma técnica para que eu pudesse entender de forma clara e sólida o que seriam os pilares do meu estudo dos Mudras:

Elementos.

Estudo do Ocultismo Ocidental: Alquimia, Tarot, Astrologia, Kabbalah.

Geometria Sagrada / Sistema Pitagórico.

Mudras Linguagem Hinduísmo / Budismo.

Confucionismo.


Continuando a ideia do “quebra-cabeças”, vou seguir usando da literatura para escrever e descrever essa jornada, que não se trata somente de uma jornada de estudo, mas também de crescimento humano e energético pessoal, aflorando em mim a cada dia minha Vontade Essencial, que para alguns pode ser chamadas de Alma, para outros de sagrado anjo guardião, e que eu chamo de Essência. O que faz a energia universal fluir com mais abertura em nossa jornada, o que traz uma comunicação mais clara e completa com o universo. Deixo aqui como uma reflexão, se fizer sentido pode usar: “Aquilo que não se modifica com o tempo no sentido da construção evolutiva é modificado pelo mesmo tempo da direção da dissolução do Ser”.

Minas Gerais, Brasil

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