A Fera da Bela




Neste texto vou trabalhar com o conto A Bela e a Fera, utilizando os símbolos arquetípicos contidos nele. Farei isso para contextualizar uma parte da subida da Escada de Jacó. Essa parte vou chamar de encontro com a Musa verdadeira, para o despertar da própria Essência. Desde o início trago dois exercícios simples de análise e interpretação. Caso tenha assistido e/ou lido a história da Bela e a Fera anteriormente e lembre-se dela, leia o este texto lembrando com detalhes da Fera da história original. Veja todo o conto como partes de uma mente una, buscando o encontro sagrado dentro de si, gerando o equilíbrio interno do Yin/Yang. Se você não conhece a história, não tem problema. Recomendo depois que ler este texto assistir e/ou ler a história original, para que consiga contextualizar todas as metáforas que serão utilizadas aqui. Durante o texto vou ligar pontos trazidos da história, na jornada do Herói. Utilizarei dos símbolos arquetípicos para descrever o caminho que possa ser utilizado pelo magista em jornada evolutiva. 


Meus amores e dores se confundem atrás de cores que nem sempre têm tonalidade certa. Por muito tempo acreditei que somente através da dor poderia me expressar literariamente. O que me fez isolar de qualquer pessoa que se aproximasse do meu mundo. Por esse mesmo tempo, tive uma musa sombria, causa de um eclipse sobre a minha vontade, criando uma  ilusão. Algo que não permitia ao meu íntimo se expressar. O que fez com que eu sobrevivesse o mínimo por muito tempo, de forma até mesmo Bestial. Rosa protegida, eternamente bela,  permanentemente morta, cortada de sua raízes, privada de seu ciclo, alimentada por toda falta e dor, dentro de minha majestosa prisão íntima. 


Fera apegada ao pseudo amor, a dores encontradas em suas várias faces até então vividas. Criada na sombra, pois tem a ignorância bestial como um valor, uma força. Que se morrer leva consigo toda a Essência ali dentro mantida, que pode despertar com o encontro do Amor. Quando percebo, aqui  estou frente à mais linda reflexão consciente que fiz até então. “Qual é a face da minha Essência. Se tenho comigo a visão bestial, controlando e protegendo meu REINO. Não tenho nada mais que dor para me alimentar, e os elementos servem para me sustentar na vontade.”


Fera! Se não fosse essa Fera a vida não teria tanto apego. Essa é uma conclusão que para alguns como eu pode ser demorada, e custar alguns erros bem profundos. Ao olhar para minha jornada, (ou seria a jornada da Fera?) por muitas vezes me pego misturado. Até mesmo confundido em quem narra a jornada. 


Para começar a compreender tive que me colocar como criança, aprendendo um mundo completamente novo. Em um ciclo cujo objetivo é simplesmente Ser. Aprendo a cada dia formas diversas de me expressar, o que faz minha Essência magística aflorar, despertando em mim minha verdadeira vontade. Com esse movimento, trago aqui um sortilégio. “Que o Sol traga cada dia mais graças a esse Oásis, que se encontra em meio ao deserto de fases do caminhante da terra.” 


Se você chegou até aqui, e o texto não faz muito sentido, peço que se faça as quatro perguntas seguintes, e perceba o que acontece com você.


Qual seria a Graça da vida, se não vivenciá-la?

Qual seria a Graça do mapa, se não desbravá-lo? 

Qual seria a Graça do mistério, se não desvendá-lo?

Qual seria a Graça da sua história, se soubesse todas as respostas?


O problema da resposta sincera e não egóica aqui é grande. Dessas perguntas feitas anteriormente, cada resposta encontrada por cada indivíduo abrirá muitas outras perguntas, que somente na jornada através do tempo o indivíduo poderá ser apresentado às respostas. Dependendo da sua consciência compreenderá as  respostas ou não. Porém, nada impede que possamos nos aprimorar e aprender com respostas anteriores, dadas por seres ancestrais que trilharam essa jornada anteriormente, subindo a escada de Jacó, e deixando de forma MÁGICA para aqueles que têm olhos para ver, folhas timbradas com símbolos contendo seus pontos de vista, ou até mesmo métodos de encontrar essa verdadeira Essência de que tanto falo aqui. Verdadeira Essência que cada um tem dentro de si!


Engraçado é que ao mesmo tempo em que escrevo completamente presente, observo o meu lado mais Bestial, transitando dentro da minha consciência. Espreitando nas sombras o melhor momento de me tomar por completo, e colocar minha mente em cativeiro de luxo, luxúria, realizações efêmeras que nada irão me agregar. Fera que quer controlar. Que quer perguntar. Que quer ter voz. Utiliza de todos os métodos que conheço para levar minha mente consigo. Para um lugar onde o tempo parece não passar, onde somente o instinto de sobrevivência vigora. Então conscientemente dou voz.  Impondo uma condição: que  a Fera responda minhas perguntas com a maior sinceridade possível. 


 O que queres de mim, oh Fera indomada?


“Quero a sobrevivência, carrego o fardo de todos os seus erros, carrego contigo aquilo que tem de mais precioso, só que não estou disposto a me despir, preciso da minha armadura para concluir minha função, função essa que batalharei até mesmo com você para cumprir.”


O que tanto protege, com tanto fervor? 


E com um Uivo, em uma frequência profunda, a Fera responde: “Protejo todo o seu Reino, defendo todas as conquistas, crio todas as barreiras e proteções, represento toda a sua jornada marcada no sangue que corre em você. Sou seu primeiro desafio, e quando chegar a hora serei o último.” “E mais. Acredita mesmo que tem capacidade de mudar algo? Acredita que pode acordar e cortar as cordas da marionete? Acorda! Quem vai escutar? Pior, quem vai entender?” E com essas frases de AMOR PRÓPRIO espero ter conseguido exemplificar de alguma forma o que vejo acontecer, de modo geral, no duelo da mente dual. 


Vou utilizar das perguntas para retomar meu raciocínio. Qual seria a Graça da vida se não vivenciá-la? Se eu não puder me questionar sobre minhas escolhas, se eu não puder mudar de opinião sobre a forma como vejo a v]ida?  Não consigo ver com a consciência que tenho hoje alguma Graça em não ter algum questionamento. “Só sei que nada sei”: frase que mudou minha percepção de vida, abrindo a porta de um mundo muito mais claro e solar. Não mais querendo a resposta do caminho, ou aproveitar o resultado da chegada. Vivenciando cada pergunta em mim, onde diariamente tento encontrar formas de realizar minha verdadeira Essência. 


Ao encontrar a Musa de Netzach, minha inspiração se tornou visceral,  e comecei a buscar entender o que Bela trazia em sua alma, a liberdade que somente ela poderia me apresentar, uma alegria em simplesmente ser, um olhar que encanta o Sol que brilha em meu peito. Fazendo com  que eu suba mais um degrau dessa escada evolutiva interna. 


Algumas personas da minha vida se quebraram eu sei. Algumas personas que atravessaram meu caminho também foram quebradas pela minha parte de responsabilidade nas relações. Por isso desbravar o mapa  de sua vida é tão importante. Porque somente nele você saberá onde enterrou suas dores. Onde estão seus tesouros? Está disposto a encontrar a sua Graça? 


Finalmente ou inicialmente? Me rendo à coragem de ter medo! Me entrego à força de ser fraco! Me disponho a ser disposto! Me vejo como uma estrela solar, porém causado pelas supostas casualidades do universo, me fazendo no fundo frágil. E só quando me entrego realmente me encontro por completo. Não posso botar um final neste texto, porque na verdade a Besta e Eu ainda vamos ter alguns diálogos e encontros, para podermos seguir subindo… 

Minas Gerais, Brasil

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